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Quando o caminho vira ameaça: monitoramento investiga os impactos das rodovias sobre a fauna no Cerrado goiano

Foto do escritor: EBMN
EBMN
13 de ago.
2 min de leitura

O sítio PELD EBMN investiga os impactos dos atropelamentos sobre a fauna silvestre do Cerrado.


As rodovias são fundamentais para a integração de um país, conectando cidades, comunidades e diferentes regiões. Ao mesmo tempo, para a fauna silvestre, essas estruturas podem representar importantes barreiras à movimentação dos animais e uma fonte significativa de mortalidade. Em paisagens fragmentadas, como as encontradas no sudoeste de Goiás, os atropelamentos de fauna constituem uma ameaça relevante à biodiversidade. Além da mortalidade direta, a presença e o intenso fluxo de veículos nas rodovias podem reduzir a conectividade entre os fragmentos de vegetação nativa, dificultando processos ecológicos essenciais, como a dispersão, a reprodução e o deslocamento das espécies.


É nesse contexto que pesquisadores vinculados ao Programa de Pesquisas Ecológicas de Longa Duração (PELD EBMN) vêm realizando o monitoramento de rodovias pavimentadas inseridas na área de estudo do projeto. A iniciativa tem como alvo as rodovias BR-060, no trecho entre Jataí e Santo Antônio da Barra, e GO-174, entre Montividiu e Aparecida do Rio Doce. O objetivo é compreender a dimensão dos impactos provocados pelas estradas sobre a fauna silvestre, identificar os pontos considerados mais críticos e verificar quais grupos de animais são mais vulneráveis aos atropelamentos.


Raposa-do-campo (Lycalopex vetulus) atropelada em um dos trechos monitorados pelo pesquisadores do sítio PELD EBMN
Raposa-do-campo (Lycalopex vetulus) atropelada em um dos trechos monitorados pelo pesquisadores do sítio PELD EBMN

Entre 2025 e 2026, o monitoramento registrou aproximadamente 250 indivíduos atropelados, pertencentes a cerca de 35 espécies de aves, mamíferos, répteis e anfíbios. Entre os animais registrados estão espécies ameaçadas de extinção, como a anta, a raposinha-do-campo e o tamanduá-bandeira. Esses registros reforçam a necessidade de compreender e enfrentar os impactos provocados pela expansão e pelo uso da infraestrutura viária sobre a biodiversidade.


Os dados obtidos pelo monitoramento são importantes não apenas para dimensionar a mortalidade da fauna, mas também para identificar padrões espaciais e temporais de ocorrência dos atropelamentos. Essas informações podem contribuir para a definição de estratégias de mitigação, como a implantação de estruturas de passagem de fauna, a instalação de sinalização, a adequação de trechos críticos e a adoção de outras medidas destinadas a reduzir os impactos das rodovias sobre a biodiversidade.


A discussão sobre a segurança da fauna silvestre nas rodovias também vem ganhando espaço no âmbito das políticas públicas. Nesse cenário, iniciativas voltadas à criação de instrumentos nacionais de planejamento e segurança viária para a fauna reforçam a importância da produção de conhecimento científico capaz de subsidiar ações de conservação e orientar a implantação e a gestão de infraestruturas de transporte.


Animais atropelados nos trechos monitorados nas rodovias BR-060 e GO-174, no sudoestre de Goiás, Brasil.
Animais atropelados nos trechos monitorados nas rodovias BR-060 e GO-174, no sudoestre de Goiás, Brasil.

Para o PELD EBMN, o monitoramento das rodovias integra uma perspectiva mais ampla de compreensão dos efeitos da fragmentação e da configuração da paisagem sobre a biodiversidade. Ao produzir dados de forma contínua e em diferentes escalas, o projeto busca contribuir para que o conhecimento científico seja incorporado ao planejamento territorial e à tomada de decisões relacionadas à conservação.


Mais do que registrar animais atropelados, o monitoramento permite compreender como as intervenções humanas alteram a dinâmica da paisagem e afetam a fauna silvestre. Transformar esses dados em conhecimento e, posteriormente, em estratégias de conservação é um dos caminhos para conciliar a necessidade de infraestrutura e mobilidade com a manutenção da biodiversidade do Cerrado.



 
 
 

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